O glamour, as cores e o brilho se foram, só lhe restaram os vícios e a abstinência, sua mão agora só criava bonecos de palito.
Condenado a ver seus filhos repetiram os seus erros; mais primitivos. É triste ver todos os amigos indo embora e você ali parado, estagnado, estancando dores do passado.
É triste ver alguém que não consegue aprender e não entende a necessidade de crescer.
Eu tentei fazer você enxergar, mas você sempre me respondia: Eu vivo da experiência!
Brincando de cientista com o monstro que é a vida.
Quinze anos passaram e eu não via você nem nos meus sonhos.
Sentando atrás de um jornal, um cigarro e um café, perto da catedral. Um anel com brilho dourado. Uma filha, a coisa mais linda.
-Quanto tempo já havia se passado?
O nome dela era Sofia, tinham se conhecido em uma das suas buscas por alegria. Ele dizia o quanto essa mulher o completava e falava do seu trabalho, das crianças e dos sonhos realizados. E eu impressionado com a cor dos seus olhos e o brilho da sua pele.
Mais quinze anos se passaram e nunca mais ouvi falar dele.
Foi quando o meu monstro me levou pelos braços, o único vicio que conservei daquele tempo foi o meu carrasco.
No meu leito, pensando em tudo que tinha feito e todas as coisas que abri mão de fazer por medo ou receio do resultado. Não tive uma vida ruim, mas ainda me lembro das minhas últimas palavras:
Maldita a sorte daquele bastardo.
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